O sol começava a despertar no horizonte, tingindo o céu da Capadócia com tons dourados. Era um daqueles momentos que ficam gravados para sempre na memória. Eu e a Cátia estávamos dentro do balão de ar quente, rodeados por dezenas de outros balões que flutuavam silenciosamente sobre as formações rochosas.
A minha ideia inicial era simples: fazer o pedido ali, no ar, enquanto o mundo parecia suspenso no tempo. Mas havia um pequeno problema… não estávamos sozinhos. O balão estava cheio, 32 pessoas apertadas na cesta, e não havia espaço nem privacidade para um momento tão especial. Olhei em volta, tentei encontrar uma forma, mas percebi que não ia acontecer ali.
E depois… houve outro pequeno detalhe: A aterragem.
O piloto avisou-nos para nos segurarmos bem, e eu achei que era apenas um procedimento normal. Mas, em vez de pousarmos suavemente num campo aberto, fomos parar em cima de uma árvore! A cesta inclinou-se, alguns ramos quebraram-se, e por um instante, todos ficámos sem saber o que ia acontecer. Claro que no final tudo correu bem, mas foi de longe um pouso romântico que eu tinha imaginado.
Depois de sairmos do balão e rirmos da aterragem desastrosa, seguimos para o local onde terminava a viagem dos balões. Eu ainda não tinha um plano claro, mas sabia que tinha de encontrar uma solução.
Foi então que surgiu a oportunidade perfeita. Enquanto tirávamos algumas fotos para recordar aquele dia, a Cátia virou-se para tirar uma foto de costas. E foi nesse momento que me ajoelhei.
Ela, sem suspeitar de nada, continuou focada na foto. Mas depois, sentiu algo e virou-se. Os seus olhos encontraram os meus — e o anel, que eu segurava nas minhas mãos trémulas. O meu coração batia descontroladamente, a minha boca estava seca, e por mais que tivesse imaginado mil discursos, nenhuma palavra saiu.
O silêncio instalou-se entre nós. Ela olhava para mim, eu olhava para ela, e o tempo parecia ter parado.
Foi então que quebrei o silêncio e perguntei:
— Então, não dizes nada?
Olhei para ela, completamente nervoso, e ela respondeu:
— Tu não perguntaste nada, então também não vou dizer nada.
Rimos, e naquele momento, toda a tensão dissipou-se. Olhei para ela com um sorriso e, finalmente, soltei as únicas palavras que consegui reunir:
— Um momento vale mais do que mil palavras.
Os olhos dela brilharam, e sem precisar de mais nada, ela sorriu e disse o que eu tanto queria ouvir:
— Sim!
Deslizei o anel no dedo dela e abraçámo-nos enquanto o sol subia no céu da Capadócia. Não tinha sido como planeei, mas tinha sido perfeito à nossa maneira.
Naquele dia, percebi que os melhores momentos não precisam de palavras.
Apenas de amor!